Contagem de equivalentes de hidratos de carbono: iniciando…

A diabetes é uma doença metabólica crónica, caracterizada pela alteração da regulação da glicemia.
Os alimentos podem ser compostos por 3 tipos de nutrientes: proteína, gorduras e hidratos de carbono. Os hidratos de carbono ou glícidos são o nutriente com maior impacto na glicemia pós-prandial (1h30m depois da refeição), pelo que numa pessoa com diabetes, o seu consumo deve ser controlado.

A contagem de glícidos permite que a pessoa com diabetes administre insulina às refeições de acordo com a quantidade de hidratos de carbono que consumiu. A contagem de glícidos pode ser feita de diversas formas: considerando um plano nutricional fixo, considerando um plano nutricional com equivalentes substitutos, ou com liberdade de consumo de glícidos e determinação da respetiva dose de insulina necessária. Os tipos de insulina utilizados na metodologia de contagem de equivalentes de hidratos de carbono são as insulinas que permitem fazer bólus: insulina humana rápida ou um análogo de insulina ultra-rápida.roda_alimentacao_mediterranica-300x200

Os grupos de alimentos considerados para a contagem de equivalentes são: frutos, leguminosas, cereais, derivados e tubérculos, leite e iogurte.

 

Um equivalente de hidratos de carbono, varia de acordo com o serviço de Diabetes em que somos seguidos. Em Portugal existem Tabelas de equivalentes de glícidos para 10 gramas, 12 gramas e 15 gramas. Eu sou seguida no S.E.D.M. dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde é utilizado 15 gramas de glícidos por equivalente.

O cálculo do bólus de insulina a realizar na refeição obtem-se através da soma:

  1. Da insulina necessária para realizar a correção da glicemia com…
  2. A insulina necessária para “degradar” a quantidade de hidratos de carbono consumidos.

O bólus de insulina é a administração de insulina rápida ou análogo de insulina ultra-rápida realizada antes das refeições.

 

Por exemplo, considerando o meu caso para um lanche.

Dados para o lanche: 

  • Utilizo Bomba infusora de Insulina, com Humalog®
  • Fator de sensibilidade à insulina = 100 mg/dl (quanto é que 1 unidade de insulina me desce na glicemia)
  • Contagem de equivalentes a 15 gramas de glícidos
  • Por cada equivalente de glícidos (15 gramas) necessito de 1,5 unidades de insulina
  • Glicemia pré-prandial = 178 mg/dl

 

Correção da glicemia:

Tenho glicemia de 178 mg/dl, o meu objetivo de glicemia à hora do lanche é de 100 mg/dl.

  • 178-100= 78 mg/dl (necessário corrigir)
  • Sabendo que cada unidade de insulina me baixa 100 mg/dl (à hora do lanche), faz-se uma regra de 3 simples:

1 – 100 mg/dl
x – 78 mg/dl

Obtem-se que  x = 0,78 unidades de insulina para corrigir a glicemia.

 

Contagem dos equivalentes de hidratos de carbono:

Considerando que ao lanche vou comer: 1 bola de mistura, 1 queijo fresco pequeno e 1 chávena de leite simples:

  • 1 bola de mistura (50 g) são 2 equivalentes de glícidos
  • o queijo não é contabilizado para a contagem de equivalentes porque tem um baixo teor de hidratos de carbono
  • 1 chávena de leite simples (200 ml) é 1 equivalente de glícidos
  • Total de equivalentes consumidos = 2 + 1 = 3 equivalentes de glícidos, ou seja, cerca de 45 gramas de glícidos
  • Como por cada equivalente de glícidos eu necessito de 1,5 unidades de insulina, ao lanche vou precisar de 3 x 1,5 = 4,5 unidades de insulina para os hidratos de carbono que vou consumir

Para este lanche vou ter que administrar a insulina resultante da soma:

Insulina para corrigir + insulina para os equivalentes de HC =
= 0,78 unidades + 4,5 unidades = 5,28 unidades de insulina, arredondando por defeito,
5,2 unidades de insulina a administrar ao lanche.

Como utilizo Bomba Infusora de Insulina, consigo fazer a administração às décimas, sendo que administrar 5,2 unidades de insulina.
Se utilizasse caneta de insulina teria que administrar 5 unidades de insulina para esta refeição, porque as canetas só permitem o ajuste de unidade em unidade ou de 0,5 a 0,5 unidade, no caso de utilizar uma caneta pediátrica.


NOTA: Eu faço os arredondamentos por defeito com o objetivo de diminuir o risco de hipoglicemias.

Vera Ruivo Dias
A alimentação saudável é a base do nosso bem-estar e, consequentemente, da nossa felicidade.

Fotografia de destaque de Carla Dias, Figueira da Foz. 

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Pôr os músculos a mexer!

A diabetes é uma patologia que não “dá descanso”.

A diabetes é uma doença que exige uma atenção e dedicação diária. Como todos nós sabemos, o tratamento da diabetes consiste na segunte tríade: medicação, alimentação e atividade física.

Eu tenho diabetes há 11 anos a a pratica de atividade física é recente, iniciei há cerca de 2 anos. O que costumo praticar são caminhadas, corrida e, durante um período pratiquei zumba.

As caminhadas são ótimas, pois permite-nos relaxar e descansar mentalmente. No meu caso, consigo realizar caminhadas com alguma duração e distância sem consequente hipoglicemia.

Quando iniciei as caminhadas “desafiei” algumas colegas e familiares para me acompanharem. Durante as caminhadas também nos é permitido “por a conversa em dia”, que é sempre um convívio saudável para nós.
vera e nero

O resultado das caminhadas têm um efeito de redução da glicemia bom, mas para mim é mais difícil de caracterizar porque depende da velocidade, do desnível, do tempo e período, entre outros fatores. O facto de realizar a caminhada com outras pessoas, por vezes alterava estas condicionantes, com consequente impacto no resultado da glicemia final e na sua variação nas horas posteriores.
Nas situações de caminhada, reduzo a insulina de bólus da refeição em 30%, se for caminhar pouco tempo depois. Diminuo a insulina basal para 40-60%, com o objetivo de evitar a ocorrência de hipoglicemia durante a atividade. Após o termino da caminhada, reduzo a insulina basal para 60% durante, pelo menos, 4 horas. Preferencialmente realizo os mesmos percursos e à mesma hora, a fim de aumentar a segurança.

Durante a caminhada faço-me acompanhar do meu “kit” máquina de glicemia/FreeStyle Libre, água, açúcar e telemóvel, para qualquer problema contactar com alguém que me possa ir buscar.

 

Para mim, é mais difícil gerir a glicemia durante uma caminhada ao ar livre do que numa corrida realizada na passadeira. Eu tenho esta opinião porque na caminhada pode haver variação do esforço ou da duração, podendo dificultar a manutenção da glicemia num intervalo aceitável. Quando vou acompanhada é importante avaliar a glicemia durante a atividade porque, frequentemente acontece, as pessoas dizerem “Ah, já que estamos aqui, vamos até ali!”. Mais uns metros podem fazer diferença entre chegar com uma glicemia razoável ou entrar em processo de hipoglicemia e ter que solicitar por ajuda.

Nada que a experiência e conhecimento do organismo não melhorem =)

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Fotografias de Carla Dias, em Pedrogão Pequeno.

Vera Ruivo Dias
A alimentação saudável é a base do nosso bem-estar e, consequentemente, da nossa felicidade.

Fotografia de destaque de Carla Dias.

Quiche Cogumelos e feijão-verde

As quiches são uma ótima opção para a refeição de um dia de calor.

Uma quiche fica deliciosa quando acompanhada de uma salada e é uma boa alternativa para ser transportada até ao local de consumo.

Vou partilhar convosco uma receita que adoro:

Quiche de cogumelos e feijão-verde!

Ingredientes para 8 porções:

  • 1 base de massa quebrada para tarte
  • 3 ovos
  • 80 g de cogumelos laminados
  • 50 g cenoura
  • 60 g de feijão-verde
  • 30 g cebola
  • 200 ml de natas de soja
  • 150 ml de leite magro
  • 10 ml azeite
  • sal q.b.
  • pimenta q.b.

 

Preparação:

  1. Lave bem os ingredientes. Prepare e lamine o feijão-verde. Descasque a cebola e a cenoura cortando-a em semi-luas e picando a cebola.
  2. Coloque uma frigideira com um fio de azeite (cerca de 2 colheres de chá) e quando estiver quente, junte a cebola e os cogumelos e deixe alourar.
  3. Parta os ovos e junte o pacote de natas de soja e o leite. Misture muito bem, temperando com sal e pimenta a gosto.
  4. Numa tarteira, coloque a massa e molde-a à forma. Fure a massa com a ajuda de um garfo.
  5. Coloque os ingredientes sólidos sobre a massa. Posteriormente, junte a mistura das natas, ovos e leite.
  6. Leve ao forno a 180ºC, durante cerca de 40 minutos.
  7. Sirva acompanhada de uma salada.

Desfrute! Bom apetite!

Composição Nutricional por porção:

  • Valor calórico: 222 calorias
  • Hidratos de carbono: 19.2 gramas
  • Proteína: 6.3 gramas
  • Gordura: 13.9 gramas
  • Fibra: 1.4 gramas

 

Contagem de equivalentes por porção:

  • Se 10g de glícidos por equivalente: 1.9 equivalentes
  • Se 12g de glícidos por equivalente: 1.6 equivalentes
  • Se 15g de glícidos por equivalente: 1.3 equivalentes

 

Observação: No caso de uma pessoa com diabetes a utilizar bomba infusora de insulina, deve realizar um bólus prolongado, devido ao elevado teor de gordura que a quiche fornece, com impacto na absorção dos hidratos de carbono.

 

Vera Ruivo Dias
A alimentação saudável é a base do nosso bem-estar e, consequentemente, da nossa felicidade.

Dica 1 – Snack de Iogurte com quivi, aveia e linhaça

Com a agitação do nosso dia-a-dia, por vezes recorremos a opções de snacks processados e menos saudáveis.

Os iogurtes são uma boa opção para um snacks, mas pode ser pouco saciante. Por este motivo eu gosto de o juntar com outros alimentos, nomeadamente a opção indicada em seguida.

 

Composição:

  • 1 iogurte, preferencialmente natural (este é dos que eu faço, sem adição de açúcar ou adoçante – disponível as indicações em Receitas)
  • 1 quivi médio, com cerca de 130g
  • 8 g sementes de linhaça (2 colheres de chá)
  • 9 g flocos de aveia (3 colheres de chá)

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Este snack maravilhoso, pode ser preparado no momento ou ser colocado num frasco para o podermos levar para o nosso destino! É ainda uma fonte de cálcio e fibra solúvel, favorecendo a saciedade e também o regular funcionamento intestinal.

Desfrute! Bom apetite!

 

Composição Nutricional por dose:

  • Valor calórico: 207 calorias
  • Hidratos de carbono: 31.3 gramas
  • Proteína: 10.8 gramas
  • Gordura: 4.6 gramas
  • Fibra: 4.9 gramas

 

Contagem de equivalentes:

  • Se 10g de glícidos por equivalente: 3.13 equivalentes
  • Se 12g de glícidos por equivalente: 2.6 equivalentes
  • Se 15g de glícidos por equivalente: 2.1 equivalentes

 

Vera Ruivo Dias
A alimentação saudável é a base do nosso bem-estar e, consequentemente, da nossa felicidade

Sopa de couve-flor e espinafres

Desde pequenina que na minha casa existe o hábito de comer sopa a todas as refeições. Eu sou uma verdadeira amante de sopa!

Uma das minhas sopas preferidas é a Sopa de couve-flor e espinafres. Esta sopa tem um baixo teor de hidratos de carbono, sendo uma boa opção para nós, pessoas com diabetes.

 

Ingredientes para 10 porções (200 ml cada porção):

  • 80g de batata6376806041_36af9c2648_n
  • 350g de couve-flor
  • 1 dente de alho (4g)
  • 150g de cenoura
  • 150g abóbora
  • 80g de espinafres
  • 30ml de azeite (2 colheres de sopa)
  • 5g de sal (1 colher de chá)

 

Preparação:

  1. Lave bem os ingredientes. Prepare e corte a abóbora, a couve-flor, a batata e as cenouras, em pedaços. Coloque os ingredientes numa panela com cerca de 1,5L de água.
  2. Adicione à panela metade dos espinafres, o alho e o sal. Deixe os alimentos cozinharem, durante cerca 20 minutos.
  3. Junte 0,5L de água à panela e passe os alimentos com a varinha mágica.
  4. Adicione os restantes espinafres e deixe-os cozinhar, durante cerca de 8 minutos.
  5. Posteriormente, desligue o lume e adicione o azeite.

Desfrute! Bom apetite!

 

Composição Nutricional por porção (200 ml = 2 conchas):

  • Valor calórico: 52.0 calorias
  • Glícidos: 4.5 gramas
  • Proteína: 1.4 gramas
  • Gordura: 3.4 gramas
  • Fibra: 1.9 gramas

 

Contagem de equivalentes por porção (200 ml = 2 conchas):

  • Se 10g de glícidos por equivalente: 0.5 equivalente
  • Se 12g de glícidos por equivalente: 0.4 equivalente
  • Se 15g de glícidos por equivalente: 0.3 equivalente

Vera Ruivo Dias
A alimentação saudável é a base do nosso bem-estar e, consequentemente, da nossa felicidade

A minha Diabetes

Chamo-me Vera e tenho Diabetes Mellitus Tipo 1, há 11 anos. O meu diagnóstico foi feito quando tinha 17 anos. Além da Diabetes, tenho outra doença autoimune, tenho Nefropatia por IgA desde os 7 anos.

No fim do ano de 2004 comecei a perder peso, julgando estar relacionada com o stress do 11.º Ano.  Neste sentido, em fevereiro a minha mãe foi comigo ao médico de família. Ainda me lembro do que o Sr. Doutor disse à minha Mãe quando apresentou a sua preocupação “Isabel, a Vera está numa fase de namoricos, mania dos pesos, isto é normal da idade.”, tentando diminuir a inquietação materna, mas ao mesmo tempo, prescrevendo as análises bioquímicas para perceber o que efetivamente se passava.
Se tivesse conhecimento da sintomatologia da diabetes tinha desconfiado antes, mas como era totalmente ignorante nesta área… Há cerca de 4 meses que apresentava sintomatologia: polifagia (fome extrema), polidipsia (sede intensa), poliúria (urinar frequentemente), perda e peso, visão turva e infeções frequentes, … quadro completo!

 

Após a realização das análises, estive quase 2 meses para conseguir ter consulta novamente. Neste ano, a área escola da minha turma era “Conhecer a cultura de Florença” e nas férias da Páscoa fomos todos para Itália. Engraçado… em Florença as casas de banho públicas são pagas… Devido à quantidade de vezes que lá ia, decidi guardar todos os talões para “justificar” aos meus pais o dinheiro que gastara. Agora que analiso a situação compreende-se porque comia os meus lanches, os dos meus amigos e ainda continuava com fome. Tinha uma irritabilidade muito intensa e frequente que me levava a afastar dos meus amigos. Que bons gelados e pizzas que comi em Itália! Felizmente não me senti mal, quer dizer, sentir mal senti, mas não agudizei…
Em abril de 2005, eu registava uma perda de peso de 25 kg, passei de 65 Kg, peso habitual, para 40,1 Kg, em cerca de 3-4 meses. De facto, eu não tinha um “ar” saudável…

De regresso a Portugal, a minha Mãe foi ao nosso Médico de Família mostrar os resultados. O Dr. Tavares pediu logo à minha Mãe para me ir buscar à escola e para chamar o meu Pai. Nunca me esqueço da cara séria da Enfermeira Lúcia, enquanto me media a glicemia cujo resultado foi 442mg/dl (pouco tempo depois de ter almoçado). Enquanto isso os meus pais estavam no gabinete do Dr. Tavares a conversar e eu ouvia-os chorar. Comecei a perceber que algo de grave se passava…

Foi então que a Sr.ª Enfermeira me disse que tinha Diabetes… Fiquei muito confusa pois não compreendia bem, era ignorante, não tinha excesso de peso, não compreendia. Desatei a chorar assim que a Enfermeira me falou em insulina e injeções… Eu tinha PAVOR a agulhas. Nesse mesmo momento, o meu médico de família falou ao telemóvel com o meu primo João César, também médico de família, e juntos decidiram a insulinoterapia que devia fazer.
Nas análises que o Dr. Tavares me tinha mandado fazer, a minha hemoglobina glicada era de 16,9%, sendo que os valores para uma pessoa saudável são entre 3,8-5,8%.

Lembro-me de regressar à escola, de ir ter com os meus amigos que estavam a jogar vólei, “agarrar” a minha melhor amiga, a Inês, e afastar-me com ela a chorar… Contei-lhe tudo o que se passara. Entretanto os meus amigos pararam o jogo e vieram à nossa procura e começaram a “rodear-nos”. Diziam-me “Vera tem calma tudo se vai resolver”, “Vera vai ficar tudo bem”,… Tentavam reconfortar-me de todas as formas possíveis e imaginárias. Até que a Marina me disse “Verinha tem calma, tudo se vai resolver. Olha, come um chupa-chupa.”, esticando a mão com um chupa-chupa que tinha na mão, que inicialmente era para ela comer. Desatei a chorar e foi nesse momento que lhes contei o que se estava a passar.Carta da Inês ao Pai Natal 2

No processo de aceitação da doença, os meus amigos foram meus pilares, foram fantásticos durante todo este tempo. Toda a minha família foi incrível! Foi um processo difícil para todos porque não conhecíamos a doença, nem o tratamento, nada de nada, mas com o decorrer do tempo fomos descobrindo e aprendendo. As minhas irmãs… a Carla queria deixar a escola e vir para junto de mim para me ajudar, a Inêsita, na carta ao Pai Natal desse ano, depois de indicar o que gostava de receber, termina a carta com algo assim:
Ó Pai Natal, o que eu não gosto e que estou muito triste é que a minha irmã a Vera é diabética que é uma doença. Boa viagem! Inês, 9 anos.

Atualmente, é impressionante como as pessoas mais próximas de nós nos conhecem, nomeadamente em situações de hipoglicemia, sendo que a Inês foi das primeiras pessoas que começou a identificar os meus sintomas desta alteração. Quanto aos meus pais, foi muito muito difícil a aceitação e culpavam-se por isto!
Durante o resto da semana o meu primo João César telefonava-me todos os dias a perguntar como estavam as glicemias, o que devia comer, a insulina a administrar. O fim de semana seguinte foi prolongado, devido ao 25 de abril e foi quando tive o meu “internamento de diagnóstico” em casa do meu primo João César. Foi ele que me ensinou tudo: o que era a doença, o controlo, os cuidados que exigia, a alimentação, a administrações de insulina,… Ainda hoje, me coloca o braço nos ombros e me pergunta: “Então miúda, como é que estás?”.
Três meses depois a minha hemoglobina glicada descera para 5,9%

Posteriormente, tive a primeira consulta no Hospital da Universidade de Coimbra, onde conheci a minha equipa de diabetologia, sendo seguida pela Dr.ª Luísa Barros. Durante algum tempo, mantive o tratamento com insulina de mistura, realizando 2 administrações e 4 glicemias diárias.
Passados uns meses iniciei insulinoterapia intensiva, com múltiplas administrações de insulina e contagem de equivalentes de glícidos. Esta metodologia, na altura composta por 5 administrações de insulina (rápida e lenta), facilitou bastante a minha vida e “deu-me liberdade”, com normoglicemias. Posteriormente, modifiquei a insulina humana rápida para análogo de insulina ultra-rápida, que foi o tratamento que mantive durante mais tempo.
Após algumas abordagens pela Dr.ª Luísa devido às hipoglicemias graves, pedi-lhe para me colocar em lista de espera para bomba infusora de insulina.

Em 26 de novembro de 2012, 7 anos após o diagnóstico, fui internada pela primeira vez e única vez no Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo dos H.U.C. para colocação da bomba infusora de insulina. A minha vida melhorou ainda mais =) A minha “Juselina”, a minha uma fiel companheira durante quase 5 anos. A frequência e gravidade das hipoglicemias reduziram. O conforto e qualidade de vida melhoraram significativamente, mesmo com a Juselina “sempre agarrada” a mim. Como “passávamos” tanto tempo juntos achei pertinente dar-lhe um nome.
Relativamente às glicemias durante vários anos realizava, pelo menos, 6-8 glicemias diárias.

Até hoje só tive 2 situações de descompensação significativa: uma por ter o sistema (tubo) mal conectado com a bomba que consegui resolver telefonicamente com a Dr.ª Luísa; a segunda vez quando após o banho a minha Juselina deixou de trabalhar (nenhum dos botões funcionava). Estive 3 semanas sem bomba, com dias muito muito difíceis e com grande instabilidade glicémica. Felizmente, dia 29 de julho de 2016 fui colocar a minha bomba de substituição Accu-check Spirit Combo®, o meu “Snoopy“. 

snoopy e libre

Até junho usei o FreeStyle Neo®, que além das glicemias permite realizar avaliação dos corpos cetónicos. Gosto muito deste aparelho pelo facto de ter as tiras individualizadas, a caneta de punção com pouca profundidade, a possibilidade de realizar avaliação de corpos cetónicos e acho os relatórios fantásticos!
Em 20 de junho deste ano, foi outro dia que ficará na minha memória: o dia em que coloquei o FreeStyle Libre® (My little butterfly), o dia em que me senti livre! Como eu costumo dizer, com o Libre, sinto-me o Gollum do Senhor dos Anéis… my precious… =)
Efetivamente, tenho a sorte de utilizar a tecnologia “de ponta” até agora disponível! Como diz um amigo meu, sou um autêntico cyborg =)


A minha Diabetes fez-me crescer muito. A minha Diabetes tornou-me uma mulher mais forte e mais corajosa, tornou-me uma pessoa mais responsável e madura. A minha Diabetes e a minha Nefropatia fazem-me sentir uma pessoa especial… Não melhor que ninguém, sou apenas eu. 
A minha Diabetes permitiu-me aumentar o meu conhecimento.
A minha Diabetes não é um fator negativo na minha vida. A minha Diabetes faz parte de mim, pertence ao meu EU. =) Obviamente sou mais que a Diabetes, mas as minhas doenças não são impeditivas de nada nem de qualquer desejo e influenciaram o meu EU!
A Diabetes permitiu-me conhecer muitas, muitas pessoas fantásticas e especiais, que são exemplos para mim e a quem “recorro” sempre que necessito de ajuda.
Parabéns a todas as pessoas com Diabetes, às nossas capacidades, a quem nós somos!

Um agradecimento a todos… pais, manas e restante família, profissionais de saúde, amigos, conhecidos, “colegas de aventura”,…


A Miss “Eu sou diabética”, Vera Ruivo Dias

miss eu sou diabética